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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

São João Bosco


Fazemos memória de São João Bosco, fundador e pai da Família Salesiana. Dom Bosco viveu no apostolado a frase de São Dionísio "Das coisas divinas a mais divina é cooperar com Deus para salvar as almas"

Nasceu São João Bosco em 1815 próximo a Turim. Com dois anos de idade perdeu o pai, sendo assim a mãe Dona Margarida batalhou contra a pobreza para criar seus filhos. Tamanha era a luta de Dona Margarida que diante do chamado de João ao sacerdócio disse-lhe: "Eu nasci na pobreza, vivi sempre pobre e desejo morrer pobre. Se tu desejas tornar-te padre para ficar rico, eu nunca irei te visitar" Providencialmente toda os desafios e durezas da vida fizeram do coração sacerdote de vinte e seis anos, Dom Bosco, um homem sensível aos problemas dos jovens abandonados ou que viviam longe de suas famílias como operários. Desta realidade começou a desabrochar o carisma que concretamente construiu os Oratórios, que eram - como ainda são- lugares de resgate das Almas dos jovens.

Dom Bosco nasceu em Becchi, no Piemonte, Itália, a 16 de agosto de 1815. Era filho de humilde família de camponeses. Órfão de pai aos dois anos, viveu sua mocidade e fez os primeiros estudos no meio de inumeráveis trabalhos e dificuldades. Desde os mais tenros anos sentiu-se impelido para o apostolado entre os companheiros. Sua mãe, que era analfabeta, mas rica de sabedoria cristã, com a palavra e com o exemplo animava-o no seu desejo de crescer virtuoso aos olhos de Deus e dos homens.

Mesmo diante de todas as dificuldades, João Bosco nunca desistiu. Durante um tempo foi obrigado a mendigar para manter os estudos. Prestou toda a espécie de serviços. Foi costureiro, sapateiro, ferreiro, carpinteiro e, ainda nos tempos livres, estudava música.

Queria vivamente ser sacerdote. Dizia: "Quando crescer quero ser sacerdote para tomar conta dos meninos. Os meninos são bons; se há meninos maus é porque não há quem cuide deles". A Divina Providência atendeu os seus anseios. Em 1835 entrou para o seminário de Chieri.

Ordenado Sacerdote a 5 de junho de 1841, principiou logo a dar provas do seu zelo apostólico, sob a direção de São José Cafasso, seu confessor. No dia 8 de dezembro desse mesmo ano, iniciou o seu apostolado juvenil em Turim, catequizando um humilde rapaz de nome Bartolomeu Garelli. Começava assim a obra dos Oratórios Festivos, destinada, em tempos difíceis, a preservar da ignorância religiosa e da corrupção, especialmente os filhos do povo.

Em 1846 estabeleceu-se definitivamente em Valdocco, bairro de Turim, onde fundou o Oratório de São Francisco de Sales. Ao Oratório juntou uma escola profissional, depois um ginásio, um internato etc. Em 1855 deu o nome de Salesianos aos seus colaboradores. Em 1859 fundou com os seus jovens salesianos a Sociedade ou Congregação Salesiana.

Com a ajuda de Santa Maria Domingas Mazzarello, fundou em 1872 o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora para a educação da juventude feminina. Em 1875 enviou a primeira turma de seus missionários para a América do Sul.

Foi ele quem mandou os salesianos para fundar o Colégio Santa Rosa em Niterói, primeira casa salesiana do Brasil, e o Liceu Coração de Jesus em São Paulo. Criou ainda a Associação dos Cooperadores Salesianos. Prodígio da Providência divina, a Obra de Dom Bosco é toda ela um poema de fé e caridade. Consumido pelo trabalho, fechou o ciclo de sua vida terrena aos 72 anos de idade, a 31 de janeiro de 1888, deixando a Congregação Religiosa Salesiana espalhada por diversos países da Europa e da América.

Se em vida foi honrado e admirado, muito mais o foi depois da morte. O seu nome de taumaturgo, de renovador do Sistema Preventivo na educação da juventude, de defensor intrépido da Igreja Católica e de apóstolo da Virgem Auxiliadora se espalhou pelo mundo inteiro e ganhou o coração dos povos. Pio XI, que o conheceu e gozou da sua amizade, canonizou-o na Páscoa de 1934.

Apesar dos anos que separam os dias de hoje do tempo em que viveu Dom Bosco, seu amor pelos jovens, sua dedicação e sua herança pedagógica vêm sendo transmitidos por homens e mulheres no mundo inteiro.

Hoje Dom Bosco se destaca na história como o grande santo Mestre e Pai da Juventude. Embora tenha feito repercutir pelo mundo o seu carisma e o sistema preventivo de salesiano, que é baseado na Razão, na Religião e na Bondade, Dom Bosco permaneceu durante toda a sua vida em Turim, na Itália. Dedicou-se como ninguém pelo bem-estar de muitos jovens, na maioria órfãos, que vinham do campo para a cidade em busca de emprego e acabavam sendo explorados por empregadores interessados em mão-de-obra barata ou na rua passando fome e convivendo com o crime.

Com atitudes audaciosas, pontuadas por diversas inovações, Dom Bosco revolucionou no seu tempo o modelo de ser padre, sempre contando com o apoio e a proteção de Nossa Senhora Auxiliadora. Aliás, o sacerdote sempre considerou como essencial na educação dos jovens a devoção à Maria.

Dom Bosco ficou muito famoso pelas frases que usava com os meninos do oratório e com os padres e irmãs que o ajudavam. Embora tenham sido criadas no século passado, essas frases, ainda hoje, são atuais e ricas de sabedoria. Elas demonstram o imenso carinho que Dom Bosco tinha pelos jovens.

Entre alguns exemplos, "Basta que sejam jovens para que eu vos ame.", "Prometi a Deus que até meu último suspiro seria para os jovens.", "O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele", "Ganhai o coração dos jovens por meio do amor", "A música dos jovens se escuta com o coração, não com os ouvidos."

O método de apostolado de Dom Bosco era o de partilhar em tudo a vida dos jovens; para isto no concreto abriu escolas de alfabetização, artesanato, casas de hospedagem, campos de diversão para os jovens com catequese e orientação profissional; foi por isso a Igreja reza: "Deus suscitou São João Bosco para dar à juventude um mestre e um pai".

De estatura atlética, memória incomum, inclinado à música e a arte, Dom Bosco tinha uma liguagem fácil , espírito de liderança e ótimo escritor. Este grande apóstolo da juventude foi elevado para o céu em 31 de janeiro de 1888 na cidade de Turim; a causa foi o outros, já que afirmava ter sido colocado neste mundo para os outros.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dom Bosco: Profeta dos Jovens


Houve um homem chamadado por Deus
Que foi grande no meio dos seus.
Seu caminho foi profetizado
E na vida amado por onde andou.

O seu nome é bandeira de fé,
Pai e Mestre dos jovens já é.
Depois dele seus filhos serão
Neste rico chão sementes de amor.

Vem, Dom Bosco sonhador,
Vem conosco caminhar.
Vem trazer-nos seu sorriso,
Seu olhar amigo, seu imenso amor.

Vem, Dom Bosco sonhador,
Vem conosco caminhar.
Sua audácia seja agora
Nossa vez e hora de participar.

Hoje a luta do povo latino
É a busca de um novo destino:
Uma civilização do amor,
Onde o valor seja a comunhão.

Com Dom Bosco isto aconteceu
No milagre que se ofereceu.
Hoje vidas serão transformadas
Se forem amadas do jeito de Deus.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dom Bosco e a Bíblia

Num capitulo da Constituição dogmática sobre a Revelação Divina, promulgada pelo Concílio Vaticano II, que trata da “Sagrada Escritura na vida da Igreja”, todos os cristãos são vivamente convidados à leitura freqüente do Livro Sagrado. Nos tempos de Dom Bosco, no Piemonte, na catequese paroquial e escolar, a leitura pessoal da Bíblia não era ainda suficientemente praticada. Mais que recorrer diretamente à Bíblia costumava-se fazer uma catequese com exemplos tirados dos Compêndios de História Sagrada.

É assim que se fazia também em Valdocco. Isto não quer dizer que Dom Bosco não lesse e não meditasse pessoalmente a Bíblia. Seu primeiro biógrafo assegura que, em 10 de fevereiro de 1886, já velho e doente, Dom Bosco, na presença de seus discípulos, costumava recitar, por inteiro, alguns capítulos das Cartas de São Paulo em grego e em latim (cf. MB 1, 394-395).

Das citadas Memorie Biografiche temos conhecimento que o clérigo João Bosco, durante o verão, em Sussambrino, onde morava com o irmão Giuseppe, costumava subir até a vinha de propriedade de Turco, e ali se dedicava ao estudo que não tivera oportunidade de fazer durante o ano escolar, especialmente ao estudo do Velho e do Novo Testamento, de Calmet, da geografia dos Lugares Santos, e dos princípios da língua hebraica, conquistando um conhecimento suficiente. Ainda em 1884, lembrava-se do estudo de hebraico e foi visto em Roma, com um professor de língua hebraica para explicar certas frases originais dos profetas, fazendo confronto com os textos paralelos de diversos livros da Bíblia. Entretinha-se também numa tradução do Novo Testamento do grego (cf. MB 1, 423).

Dom Bosco, portanto, como autodidata, foi um estudioso atento dos escritos da Bíblia, e deles teve um conhecimento bastante notável. Demonstrou, em tantos outros modos, este seu profundo interesse e estudo da Sagrada Escritura, e interessou-se muito em torná-lo conhecido aos seus filhos de Valdocco. Basta pensar na sua edição História Sagrada, impressa, pela primeira vez, em 1847, e depois reimpressa em 14 edições e dezenas e mais dezenas de re-impressões, até 1964.

Tantos outros escritos seus relativos à história bíblica, como Maniera facile per imparare la Storia Sacra, publicada pela primeira vez em 1850; a Vita di San Pietro, publicada em janeiro de 1857, como um volume das Leituras Católicas; a Vita di San Paolo, publicada em janeiro do mesmo ano, como mais um volume das Leituras Católicas; a Vita di San Giuseppe¸ publicada no fascículo das Leituras Católicas de março de 1867 etc. Dom Bosco mantinha como marcas do seu breviário, frases da Sagrada Escritura, como a seguinte: “ O Senhor bom consola nas tribulações” (Na 1, 7) (cf MB 2, 524).

Mandou pintar nas paredes do pórtico de Valdocco frases da Sagrada Escritura como esta: Mt 7,8: “Todo aquele que pedir receberá, aquele que procura acha; e a quem bate será aberto” cf MB 5, 543. Desde 1853, quis que seus estudantes de filosofia e de teologia estudassem, toda semana, dez versículos do Novo Testamento, e o recitassem literalmente, mas manhãs de quinta-feira.

Na inauguração do curso, todos os clérigos tinham nas mãos o volume da Bíblia Vulgata latina, aberto nas primeiras linhas do Evangelho de São Mateus. Mas Dom Bosco, rezada a oração, começou falar, em latim o versículo 18 do capitulo 16 de Mateus: “E eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cf MB 6, 205). Desejava mesmo que seus filhos guardassem sempre na mente e no coração esta verdade evangélica.

Natale Cerrato

Tradução do Pe. Arthur Roscoe Daniel, Inspetoria São João Bosco, MG.
Divulgação: Sistema Salesiano de Animação da Família Salesiana (SSAF), Inspetoria São João Bosco, MG

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

São João Bosco, grande apóstolo da juventude

Figura ímpar, modelo de santidade no século XIX, D. Bosco foi escritor, pregador e fundador de duas congregações religiosas, tendo sobretudo exercido admirável apostolado junto à juventude, numa época de grandes transformações. Dotado de discernimento dos espíritos, do dom da profecia e dos milagres, era admirado pelos personagens mais conhecidos da Europa no seu tempo.

Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco Bosco. Mas felizmente tinha ele como mãe Margarida Occhiena, que lembra a mulher forte do Antigo Testamento.

Com sua piedade profunda, capacidade de trabalho e senso de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para a Europa como foi a do início do século XIX, dilacerada pelas cruentas guerras napoleônicas. João Bosco tinha um irmão, dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência.


De origem simples e religiosa; a mãe, exemplo de virtudes

A influência da mãe sobre o filho caçula foi altamente benéfica. “Parece que a paciência e a doce firmeza de Mamãe Margarida influenciaram São João Bosco, e que toda uma parte de sua amenidade, de seus métodos afáveis, deve ser atribuída aos modos de sua mãe, à sua maneira de ordenar e de prescrever, sem gritos nem tumulto. [...]

Margarida terá sido uma dessas grandes educadoras natas, que impõem sua vontade à maneira de doce implacabilidade” [...].

“João Bosco é um entusiasta da Virgem. Mamãe Margarida lhe revelou, pelo seu exemplo, a bondade, a ternura, a solicitude de Mamãe Maria. As duas mães se confundem em seu coração. Dom Bosco será um dos grandes campeões de Maria, seu edificador, seu encarregado de negócios”1.


A Providência falava a São João Bosco em sonhos

A Providência falava a ele, como a São José, em sonhos. Aos nove anos teve o primeiro sonho profético, no qual — sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua ação, vão se transformando em cordeiros e pastores — foi-lhe mostrada sua vocação de trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.

Extremamente dotado, tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, "se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo em companheiros de minha idade; de tal forma que, quando havia brigas, disputas, discussões de qualquer gênero, era eu o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que eu desse”2, dirá ele em sua autobiografia.

Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair seus companheiros para seus jogos e pregação, pois desde os sete anos foi um apóstolo entre eles.


São João Bosco tinha discernimento dos espíritos

Possuía um vivo discernimento dos espíritos, como ele mesmo afirmou: "Ainda muito pequeno, já estudava o caráter de meus companheiros. Olhava-os na face e ordinariamente descobria os propósitos que tinham no coração”3. Essa preciosa qualidade depois o ajudaria muito no apostolado com a juventude.

Órfão de pai, muito pobre para estudar para o sacerdócio como pretendia, e tendo sobretudo a incompreensão do meio-irmão, que o queria no campo, aos 12 anos a mãe lhe pôs sobre os ombros um bornal com alguns pertences e o enviou a procurar trabalho nas fazendas vizinhas. Assim o adolescente perambulou pela região, servindo de garçom num café, de aprendiz de alfaiate, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro, preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios a seus "birichini"4 nas escolas profissionais que fundará.


Vivendo de confiança na ajuda da Providência

A vida de São João Bosco é um milagre constante. É humanamente inexplicável como ele conseguiu, sem dinheiro algum, construir escolas, duas igrejas — uma sendo a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora — prover de máquinas específicas suas escolas profissionais, nutrir e vestir mais de 500 rapazes numa época de carestia.

Para Pio XI, "em D. Bosco o sobrenatural havia chegado a ser natural; o extraordinário, ordinário; e a legenda áurea dos séculos passados, realidade presente”8.

Quando mais ele precisava e menos possibilidade tinha de obter dinheiro, aparecia algum doador anônimo para lhe dar a exata quantia necessitada. Mas ele empenhava-se também em promover rifas, leilões e tudo que pudesse render algum dinheiro para sua obra.

Educador ímpar, e sobretudo eficaz diretor de consciências, vários de seus meninos morreram em odor de santidade, sendo o mais conhecido deles São Domingos Sávio. Dom Bosco escreveu-lhe a biografia e a de vários outros.

Necessitando Dom Bosco de ajuda para seu apostolado incipiente, não teve dúvidas em ir pedi-la à sua mãe, já entrada na velhice e vivendo retirada junto ao outro filho e netos.

Essa mulher forte pegou alguma roupa e objetos de que poderia necessitar, e, sem olhar para trás, seguiu seu filho a pé, nos 30 quilômetros que separavam sua vila de Turim. Tornou-se ela a mãe de tantos "birichini", aos quais alimentava, vestia e ainda dava sábios conselhos. Foi seguindo seu costume que seu filho instituiu as belas Boa Noite, ou palavras edificantes aos meninos antes de eles irem dormir.


Escrevendo a reis e imperadores

São João Bosco mantinha uma correspondência intensa, escrevendo para imperadores, reis, nobreza, dirigentes da nação, com uma liberdade que só os santos podem ter.

Assim, transmitiu ao Imperador da Áustria um recado memorável de Nosso Senhor para que ele se unisse às potências católicas, a fim de se opor ao poderio crescente da Prússia protestante.


São João Bosco manteve correspondência com a Princesa Isabel

Escreveu também à nossa Princesa Isabel, recomendando-lhe seus salesianos no Brasil. Ao rei do Piemonte, prestes a tomar medidas contra a Igreja, alertou-o da morte que reinaria no palácio, caso isso ocorresse. Como o soberano não voltou atrás, quatro membros da família real se sucederam no túmulo, em breve espaço de tempo.

São João Bosco morreu em Turim a 31 de janeiro de 1888, sendo canonizado por Pio XI em 1934. Foi nomeado padroeiro dos jovens e dos aprendizes. Seu dia é celebrado em 31 de janeiro.






Notas:


1.La Varende, Don Bosco, Le Livre de Poche Chrétien, Arthème Fayard, Paris, pp. 15 e 21.
2.San Juan Bosco, Memorias del Oratorio, Primera Fase, 1, p. 7, in "Biografía y Escritos", B.A.C.
3.Id. Ib.
4.Plural de "birichino" — garoto, gaiato (Dizionario Portoghese-Italiano, Italiano-Portoghese, Carlo Parlagreco e Maria Cattarini, Antonio Vallardi Editore, Milano, 1960).
5.Pe. Rodolfo Fierro, SDB, Biografía y Escritos..., Introdução, p. 14.
6.Id. ib., p. 15.
7.Id. ib., p. 51.
8.Discurso de 3 de abril de 1932, apud BAC, op. cit., p. 11.

Fonte: http://grandessantos.blogspot.com/search/label/S%C3%A3o%20Jo%C3%A3o%20Bosco

sábado, 28 de agosto de 2010

Hino de Dom Bosco - Caetés



1. O começo foi difício todos lembram. As semente, nossos grupos, sempre boas.
Nossa Igreja foi crescendo florescente, viva Deus que nos sustenta e abençoa (2x)

E quando elegemos pra nós um modelo, um grande cristão
ganhamos Dom Bosco, mais que um padroeiro,
um bom companheiro, um pai, um irmão. (2x)

2. Nos encontros, caminhadas, catequeses, celebramos nossa fé no Deus da vida
Comparando a nossa vida com o Evangelho. Viva o Espírito de Deus que nos inspira! (2x)

3. Nossa luta contra o lixo todos lembram; nasce morta a fé que nada realiza
É o que a gruta da Senhora representa. Viva a Mãe de Deus e nossa Mãe querida! (2x)

4. A saudade é também nossa companheira, é presença do irmão que já partiu;
Sua lembrança é brisa leve que peleja. Cada irmão é um dom de Deus em nossa vida (2x)


Letra e Música: Pe João Carlos Ribeiro, sdb

Dom Bosco, o Sonhador

João Bosco nasceu em 16 de agosto de 1815 numa pequena fração de Castelnuovo D’Asti, no Piemonte (Itália), chamada popularmente de “os Becchi”. 

Ainda criança, a morte do pai fez com que experimentasse a dor de tantos pobres órfãos dos quais se fará pai amoroso. Em Mamãe Margarida, porém, teve um exemplo de vida cristã que marcou profundamente o seu espírito. 

Aos nove anos teve um sonho profético: pareceu-lhe estar no meio de uma multidão de crianças ocupadas em brincar; algumas delas, porém, proferiam blasfêmias. Joãozinho lançou-se, então, sobre os blasfemadores com socos e ponta-pés para fazê-los calar; eis, contudo, que se apresenta um Personagem dizendo-lhe: “Deverás ganhar estes teus amigos não com bastonadas, mas com a bondade e o amor... Eu te darei a Mestra sob cuja orientação podes ser sábio, e sem a qual, qualquer sabedoria torna-se estultícia”. O Personagem era Jesus e a Mestra Maria Santíssima, sob cuja orientação se abandonou por toda a vida e a quem honrou com o título de “Auxiliadora dos Cristãos”. 

Foi assim que João quis aprender a ser saltimbanco, prestidigitador, cantor, malabarista, para poder atrair a si os companheiros e mantê-los longe do pecado. “Se estão comigo, dizia à mãe, não falam mal”. Desejando fazer-se padre para dedicar-se totalmente à salvação das crianças, enquanto trabalhava de dia, passava as noites sobre os livros, até que, aos vinte anos, pode entrar no Seminário de Chieri e, em 1841, ser ordenado Sacerdote em Turim, aos vinte e seis anos. Turim, naqueles tempos, estava cheia de jovens pobres em busca de trabalho, órfãos ou abandonados, expostos a muitos perigos para alma e para o corpo. Dom Bosco começou a reuni-los aos domingos, às vezes numa igreja, outras num prado, ou ainda numa praça para fazê-los brincar e instruí-los no Catecismo até que, após cinco anos de grandes dificuldades, conseguiu estabelecer-se no bairro periférico de Valdocco e abrir o seu primeiro Oratório. 

Os garotos encontravam aí alimento e moradia, estudavam ou aprendiam uma profissão, mas sobretudo aprendiam a amar o Senhor: São Domingos Sávio era um deles. Dom Bosco era amado incrivelmente pelos seus “molequinhos” (como os chamava). A quem lhe perguntava o segredo de tanta ascendência, respondia: “Com a bondade e o amor, eu procuro ganhar estes meus amigos para o Senhor”. Sacrificou por eles seu pouco dinheiro, seu tempo, seu engenho, que era agudíssimo, sua própria saúde. Com eles se fez santo. Para eles fundou a Congregação Salesiana, formada por sacerdotes e leigos que querem continuar a sua obra e à qual deu como “finalidade principal apoiar e defender a autoridade do Papa”.

Querendo estender o seu apostolado também às meninas, fundou, com Santa Maria Domingas Mazzarello, a Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora. Os Salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora espalharam-se pelo mundo todo a serviço dos jovens, dos pobres e dos que sofrem, com escolas de todos os tipos e graus, institutos técnicos e profissionais, hospitais, dispensários, oratórios e paróquias. Dedicou todo o seu tempo livre subtraído, muitas vezes, ao sono, para escrever e divulgar opúsculos fáceis para a instrução cristã do povo. 

Foi, além de um homem de caridade operosa, um místico entre os maiores. Toda a sua obra foi haurida na união íntima com Deus que, desde jovem, cultivou zelosamente e desenvolveu no abandono filial e fiel ao plano que Deus tinha predisposto para ele, guiado passo a passo por Maria Santíssima, que foi a Inspiradora e a Guia de toda a sua ação.

Sua perfeita união com Deus foi, talvez como em poucos Santos, unida a uma humanidade entre as mais ricas pela bondade, inteligência e equilíbrio, à qual se acrescenta o valor de um conhecimento excepcional do espírito, amadurecido nas longas horas passadas todos os dias no ministério das confissões, na adoração ao Santíssimo Sacramento e no contato contínuo com os jovens e com pessoas de todas as idades e condições.

Dom Bosco formou gerações de santos porque levou os seus jovens ao amor de Deus, à realidade da morte, do julgamento de Deus, do Inferno eterno, da necessidade de rezar, de fugir do pecado e das ocasiões que levam a pecar, e de aproximar-se freqüentemente dos Sacramentos.

“Meus caros, eu vos amo de todo o coração, e basta que sejais jovens para que vos ame muitíssimo”. Amava de tal forma que cada um pensava ser o predileto.

“Encontrareis escritores muito mais virtuosos e doutos do que eu, mas dificilmente podereis encontrar alguém que vos ame mais em Jesus Cristo, e mais do que eu deseje a vossa verdadeira felicidade”.

Extenuado em suas forças pelo incessante trabalho, adoentou-se gravemente. Particular comovente: muitos jovens ofereceram ao Senhor a própria vida por ele. “... Aquilo que fiz, eu o fiz para o Senhor... Poder-se-ia ter feito mais... Mas os meus filhos o farão... A nossa Congregação é conduzida por Deus e protegida por Maria Auxiliadora”.

Uma de suas recomendações foi esta: “Dizei aos jovens que os espero no Paraíso...”. Expirava em 31 de janeiro de 1888, em seu pobre quartinho de Valdocco, aos 72 anos de idade. Em 1º de Abril de 1934, foi proclamado santo pelo papa Pio XI, que teve a felicidade de conhecê-lo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sonho Missionário de Dom Bosco através das Américas

Este sonho missionário que Dom Bosco teve, é uma representação alegórica, rica de elementos proféticos sobre o futuro das Missões Salesianas na América do Sul. Pode-se distinguir nele três grandes sequências:

1. Após uma breve introdução, Dom Bosco diz encontrar-se numa sala, onde várias pessoas desconhecidas falam sobre as Missões. Ele reconhece o filho do Conde de Toulouse.
2. Na forma mais estranha o jovem faz contemplar, daquela sala, o extenso campo das missões da América do Sul preparado para os salesianos.
3. Em companhia do jovem, Dom Bosco faz uma viagem através de toda a América do Sul, até a Patagônia onde estão trabalhando os Salesianos e as Famílias de Maria Auxiliadora.

É um sonho muito longo. Aqui será narrada, por ele próprio, somente a parte que se refere ao Brasil.

"Naquele instante, aproximou-se de mim um jovem de seus 16 anos, amável e de sobre-humana beleza. Fixando-me o olhar, me chamou pelo nome e começou a falar-me da Congregação Salesiana.
Depois prosseguiu: - Pois bem: Estas montanhas são as cordilheiras da América do Sul e aquele mar é o Oceano Atlântico. Daqui até lá está a messe oferecida aos salesianos. São milhões de habitantes que esperam pela sua ajuda.
- E como fazer? Eu interrompi; como chegaremos a levar tantos povos ao rebanho de Cristo?- Com suor e sangue, respondeu. Quer ver o que vai acontecer?
E sem saber como, me encontrei em uma estação ferroviária. Havia muita gente. Subimos no trem e eu perguntei onde iríamos.
O jovem respondeu: - Vamos fazer uma viagem pelas cordilheiras. E tirando fora um mapa começou a me mostrar alguns pontos interessantes.
Enquanto eu olhava o mapa, a máquina deu um apito e o trem se pôs em movimento.
Na viagem o meu amigo falava muito e eu aprendia coisas belíssimas e novas sobre astronomia, meteorologia, mineralogia, fauna, flora, topografia.
Eu sempre olhava pela janela do vagão e via passar diante de mim variadas e estupendas regiões. Bosques, montanhas, planícies, rios caudalosos e que eu não fazia idéia.
Por mais de mil milhas fomos costeando uma floresta virgem. Via também cadeias de montanhas.
Pude ver as entranhas daquelas montanhas e as profundidades daquelas planícies.
Tinha sob os meus olhos as riquezas incomparáveis daqueles países. Via numerosas minas de metais preciosos, minas de carvão de pedra, poços de petróleo tão abundantes que não se viam noutros lugares.
Mas, isso não era tudo. Entre os graus 15 e 20 de latitude havia uma espécie de enseada assaz larga, assaz longa que partia de um ponto onde se formava um lago.
Então uma voz me disse repetidas vezes: - Quando estas minas forem exploradas, tudo isso se transformará numa terra de promissão onde corre leite e mel. Será uma terra de uma riqueza inconcebível.
Mas, o que mais me surpreendia era ver aquelas Cordilheiras cujas reentrâncias formavam vales até hoje desconhecidos pelos geógrafos. Nestes vales que se estendiam por mais de mil quilômetros habitavam numerosas populações que ainda não tiveram contato com os europeus; nações ainda completamente desconhecidas.
Passamos pelas margens do rio Uruguai. Não julgava que fosse tão longo. Vi também outro rio que corria paralelamente e depois se afastava formando um largo cotovelo. Era o rio Paraná.
O trem corria veloz, ora para a direita, ora para a esquerda atravessando florestas, penetrando túneis, subindo gigantescos viadutos, internando-se entre gargantas de montanhas, costeando lagos e pântanos, atravessando largos rios, correndo no meio de pradarias e planícies.
O trem tomou a direção dos Pampas e da Patagônia. Campos cultivados, casas espalhadas aqui e acolá indicavam que a civilização ia chegando naquelas terras. Transpomos uma ramificação do rio Colorado ou talvez do rio Chubut (rio Negro). Não sabia se a sua correnteza era para a Cordilheira ou para o Atlântico.
De vez em quando, avistava numerosas tribos selvagens.
Todas as vezes que via uma tribo o jovem Colle me dizia: - Eis a messe dos salesianos. Entramos numa região cheia de animais ferozes e de répteis venenosos esquisitos e horríveis. Uns pareciam cães alados e pançudos; outros eram sapos enormes que devoravam rãs. Estas espécies de animais se misturavam e grunhiam ameaçando morder-nos.
Meu companheiro, acenando para aquelas feras, exclamou: - Os salesianos as tornarão mansas.
Finalmente percebo que o trem vai se aproximando do mesmo lugar de onde partiu. O jovem pegou um mapa no qual estava desenhada com exatidão toda a América do Sul e me disse:
- Quer ver a viagem que o senhor fez? E mais: aqui está representado tudo o que foi, tudo o que é e tudo o que será estas regiões.
Enquanto eu observava aquele mapa e ouvia as explicações do jovem, admirado com o que meus olhos viam, me pareceu que o sacristão do Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora soasse as Ave Marias.
Mas acordando, percebi que eram os sinos da Paróquia de São Benigno. O sonho durou toda a noite."

Dom Bosco terminou a narração dizendo: - Com a doçura de São Francisco de Sales os salesianos levarão Jesus Cristo para as populações da América. Nas cadeias dos Andes, entre os graus 10 e 20 há muitas minas de chumbo, ouro e coisas ainda mais preciosas.
No dia 21 de abril de 1960 foi inaugurada no Brasil a nova capital Brasília. Esta cidade nasceu sob a égide e a proteção de Dom Bosco.
Quando, após longos estudos, foi escolhido o lugar no Estado de Goiás, os estrangeiros, tendo ouvido falar de uma profecia do Santo, quiseram conhecer e examiná-la e se convenceram de que ele fez aceno na sua visão profética ao indicar os graus de latitude onde correria leite e mal, perto de um grande lago.
Brasília se encontra exatamente entre os 15° e 20° graus de latitude e foi construído artificialmente um lago para a fertilização do terreno e embelezamento da região.

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